
O que é ser militante anarquista em Portugal hoje?
Devemos reflectir a participação militante em organizações anarquistas actualmente, e pensar para que somos militantes e como o somos.
Da minha experiência penso estar na altura de reflectir o extremo empenhamento num movimento e causa , isto sem uma visão derrotista e de desistência, note-se, mas tão só pensar o molde e modelo da actuação militante individual.
Vejo que há quem permaneça de forma triste em organizações libertárias por uma questão de fé na causa, quando não vê nenhum acto prático que lhe interesse,ou quando lhe vê recusada a acção e iniciativa e até a intervenção escrita por este ou aquele militante, e aí é o desanimo.
Mas continua-se a militância com fé num dia melhor, em que alguém decida que podemos agir e como e nós os outros militante aceitemos um pouco de acção, até porque agora só daqui a uns tempos é que se pode agir porque agora isto e aquilo...
E lá vamos com fé na historia anarquista, na tradição e no Bakunin na internacional e o raio.
Mas não podemos agir de uma forma mais activa e visível porque alguém diz que há não sei que lei que ninguém viu que diz: ah e tal não podemos existir como queremos e com os objectivos que temos
E os objectivos esses estão lá no papel, queremos ter sindicatos e o raio, mas alguém quer fazer um sindicato ou coisa que nos leve para lá, dar um passinho que seja, alguém diz: ah não porque porque...
Queres te mexer minimamente mas alguém dita e está dito, não podes!
Até porque não vês militante nenhuns á tua frente e os que estão são nada e não dá sequer para o gasto e funcionamento mínimo, mas podes dizer que a organização existe, pelo menos mantens a sigla e pronto!
És um militante de algo que bom, podes mostrar aos amigos o emblema e sentires-te importante, com sorte engano um amigo e digo que somos milhares, pelo menos!
Assim até dá gosto ser militante e andar sempre a pensar na causa, mas não podes agir " ah porque isto e aquilo", e lá andas por fé.
Hoje a militância pelo menos a minha e suspeito que de mais alguém é uma questão de fé: fé numa revolução longínqua (sim, porque sempre soubemos que não é para amanhã, por isso nisto não nos podem acusar de desperdício de tempo e energia).
Tens fé que um dia a tua organização cresça, tens fé que um dia possas agir no terreno social que pretendes, tens fé que não impliquem com o que escreves: "ah porque porque!".
Tens muita fé em tudo embora sejas ateu, mas continuas na militância porque tens fé.
É preciso muita fé e paciência.
Mas é essencialmente uma questão de fé.



